| |
centésimo nonagésimo sétimo dia - revoada
Já começou o desafogo.
Ontem, a irmã de Artur e seus dois filhos já voltaram pra casa, o que significa que não tem mais ninguém dormindo na sala desde ontem, o que me permite circular e ler na sala ao invés de ficar trancado no banheiro enquanto o sono não vem.
Fiquei realmente com pena dela. Veio pra Salvador atrás de um pouco de descanso. Mas não descansou nada. Nas primeiras noites, não conseguiu dormir direito por causa do calor. Pra quem não sabe, Conquista, de onde ela vem, é a Sibéria baiana - um frio de lascar -, e a coitada penou pra dormir num quarto pouco ventilado com os filhos e a irmã. Além de tudo, como não há cortinas na casa, a claridade impera logo cedo.
No domingo, quando o irmão chegou com a esposa e os filhos, a coisa piorou. O quarto de hóspedes ficou superlotado. Eu migrei pra casa de minha mãe por dois dias, mas, na primeira noite em que estive fora, a coitada tentou continuar dormindo no quarto de hóspedes, com o irmão, a cunhada e as crianças todas (o filho mais velho, um adolescente que só saía do msn pra se pendurar ao telefone e vice-versa, já dormia na sala desde a noite de sábado). Como o irmão e a cunhada roncam (e muito), a coitada teve que passar a madrugada convivendo com aquela sinfonia estereofônica. E não dormiu, é claro.
Na minha segunda noite fora de casa, ela foi dormir no quarto com Artur, que também ronca (e muito). Mas, aí, ela tomou uns remédios pra dormir, receitados pela irmã médica e empacotou.
Na terça-feira, eu voltei pra Salvador, e a coitada se mudou com a filhinha pra sala, junto do filho adolescente. E eu me mudei pro banheiro, não pra dormir, mas pra ler enquanto o sono não vinha.
Esta noite, já pude ler na sala.
Convivência com família é uma coisa meio complicada. Apesar de a criação ser a mesma, quando a gente se afasta da casa dos pais, vai adquirindo hábitos diferentes e, quando todo mundo se junta novamente, há choques. No caso da visita desse irmão de Artur, isso fica bem evidente. Ele, a mulher e os filhos não têm uma preocupação muito grande com arrumação e limpeza. O banheiro virou um mangue: alagado a cada banho. Isso, aliás, deve ter aumentado o estresse da outra irmã, coitada, que é arrumadíssima.
Os problemas familiares também afetam, e muito, Artur. E a alegria de ter os irmãos em casa se mistura com a frustração de não poder resolver esses problemas. É uma coisa complicada de se lidar.
Não falei do casal de Araçatuba, né? Pois é. Eles continaum aqui e dormem no quarto do computador. E colaboram equilibrando a convivência familiar. Se amigos são os parentes que escolhemos, acho que a presença deles aqui acaba criando um elo entre a vida de Artur longe da família e a vida perto da família. Apesar de a casa ficar mais abarrotada com os dois aqui, acho que eles ajudam bem mais do que atrapalham.
Na verdade, acho que eles acabaram pegando uma galinha pulando, pois, num momento de reestruturação de vida, tiveram que entrar no meio dessa balbúrdia toda.
Ces't la vie...
Escrito por Claudio às 14h03
[]
[envie esta mensagem]
centésimo nonagésimo sexto dia - coração de mãe
Toca o telefone.
- Albergue da Tia Celina, boa tarde!
- Vocês ainda têm vaga?
- Agora, só se for no corredor, senhor.
Tive esse diálogo ontem com um amigo meu.
A casa aqui tá uma loucura. É um apartamento de três quartos, mas só tem vaga mesmo no corredor. E a rotatividade tá forte. parece a casa de Tia celina da novela Vale Tudo. Todo mundo se hospedava na casa da Celina (Natália Thimberg), o que fez com que José Simão se referisse à casa da personagem como a "Pensão da Tia Celina". Como aqui a coisa é mais bagunçada, chamo de albergue.
Há umas semanas, veio um amigo de Artur pra fazer um curso de direção. Depois, chegaram outros dois amigos pra farrear.
Quando os dois farreadores foram embora, chegou um casal de amigos que está de mudança pra Araçatuba (interior de São Paulo) e precisava de hospedagem por uns dias. Claro que hospedamos. Aluguel temporário em Salvador nessa época é absolutamente proibitivo e a gente não ia deixar os dois na mão. Eles chegaram a sugerir que pagassem pela hospedagem, mas, quando Artur me falou sobre isso, eu fui categórico: "Me poupe!" Tem gente que pode achar que foi bobagem nossa, que a gente deveria ter aproveitado pra ganhar uma grana em cima, mas são grandes amigos de Artur (o rapaz, inclusive, é leitor assíduo deste blog, o que demonstra que, apesar do jeito de machão e de durão e de só falar alguns decibéis acima do normal, é uma pessoa de bom gosto! Hehehehe. Por sinal, ele está aqui falando: "Eta, que Claudinho tá é com assunto pra esse blog!" Ele não sabe de nada. Ainda! Huahuahauhauha!). E eu acho que, quando amigos estão precisando da gente, e a gente pode dar uma mão, a gente ajuda, sim. Não acho saudável transformar isso num negócio. Quando Celso veio morar com a gente, ele dividiu o aluguel, mas a coisa era diferente. Ele queria um lugar pra morar mesmo, até encontrar um apartamento pra ele, o que poderia levar pouco ou muito tempo. Mas, no caso desse casal, que são algumas semanas, não caberia cobrar nada. (Inclusive porque, se um dia eu for pra Araçatuba, eu vou querer hospedagem de graça! )
A questão é que, desde a semana passada, a rotatividade acelerou. O amigo que veio fazer o curso de direção saiu no mesmo dia que um dos farreadores voltou. O farreador saiu quando chegaram duas irmãs e dois sobrinhos de Artur. Uma das irmãs foi pra recife, mas o resto do pessoal ficou. Hoje de manhã, chegaram mais um irmão, com esposa e dois filhos.
E eu tô indo daqui a pouco pra casa de minha mãe e fico lá até amanhã, pelo menos. Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra...
Não tem mesmo. Minha mãe passou mal na semana passada e fui vê-la. Essa semana, meu pai viajou pra BH, pois minha avó está internada. Minha irmã foi pra casa de minha mãe ficar com ela enquanto pai viaja, e vou passar um tempinho com as duas.
E me levantei querendo ouvir um sambão pra combinar com o barraco. Mas Artur tava escutando Max Vianna e deixei quieto. Depois, o povo botou Ana Carolina e Seu Jorge. Mas, aqui no PC, eu tô ouvindo Alcione.
Escrito por Claudio às 13h50
[]
[envie esta mensagem]
centésimo nonagésimo quinto dia - deu formiga na cama
Literalmente.
Eu me deitei às 6 e meia e não tive mais do que meia hora de sono. Às 7, o despertador tocou pra acordar Artur. Logo depois, senti aquela coceirinha subindo pelo meu braço. Era uma formiguinha. Matei. Depois, outra formiguinha. Matei de novo. Depois, vi que havia várias formiguinhas em meu colchão. Como eu não sou o negrinho do pastoreio, achei melhor me levantar, inclusive porque, a essa altura, o sono já tinha ido pro espaço.
A qualquer momento, ele volta, e eu durmo.
Escrito por Claudio às 07h44
[]
[envie esta mensagem]
centésimo nonagésimo quarto dia - se
Sabe uma das coisas que eu mais detesto? É quando eu começo uma frase na condicional e a pessoa que tá conversando comigo simplesmente despreza a primeira oração e se fixa somente na última.
Por exemplo, eu digo: "Se fizer frio amanhã à noite, eu vou usar aquele casaco". E a pessoa responde: "Você vai usar aquele casaco? Mas está muito quente!" Ou seja, a pessoa simplesmente despreza o começo da frase, despreza a oração que vai dar sentido à outra, despreza a particula condicional: SE.
E continua a conversa como se eu tivesse dito que usaria a porra do casaco de qualquer jeito, como se eu tivesse dito uma coisa que eu decididamente não disse, mudando o sentido da frase e tornando a comunicação difícil e desgastante. Porque é extremamente estressante você dizer uma coisa - utilizando palavras claras, diga-se de passagem - e ser ouvido pela metade.
Aí, eu sou obrigado a perguntar: como foi que eu comecei a frase? E eu mesmo tenho que responder porque, nessa hora, a pessoa geralmente fica com cara de tacho (e eu, com mais cara de tacho ainda, pois me sinto conversado com um marciano): SE! SE fizer frio, eu uso o casaco; isto quer dizer que, SE NÃO fizer frio, eu NÃO uso o casaco.
Nossa! Essa situação realmente me tira do sério. Eu passo mal, fico com taquicardia, simplesmente porque meu interlocutor tem preguiça de raciocinar que, se alguém começa uma frase com a palavra SE, esse alguém está criando uma condição para que a segunda parte da frase aconteça. E admitir somente esta segunda parte, sem levar em consideração a condição imposta pelo SE, é simplesmente não querer compreender o que a pessoa está realmente dizendo. E insistir e levar adiante a conversa desprezando o SE é tornar a conversa insustentável.
Odeio essa situação. Odeio com todas as minhas forças!
Me mate! Mas não me ouça pela metade!
Escrito por Claudio às 01h20
[]
[envie esta mensagem]
centésimo nonagésimo terceiro dia - danuza
Li, durante a semana, o livro de memórias de Danuza leão: QUASE TUDO.
Sou fã de Danuza desde o NA SALA COM DANUZA, que devorei em 93. Quase nunca leio a coluna dela na Folha, mas, quando leio, gosto. Não foi diferente com o livro de memórias.
Não tem tanto humor quanto o NA SALA, mas é uma delícia de ler. Praticamente, devorei. E há tempos que não devoro um livro.
Mas, mais do que o jeito de ela escrever, o que mais me cativou no livro foi justamente a história dela. Danuza é quase um gato, tem trocentas vidas. A cada capítulo, a vida da mulher vira do avesso. E eu tava precisando ler sobre isso. Tava precisando de uma história com tantas viradas, pra refletir que não se pode viver com medo das mudanças. Elas sempre acontecerão; nas vidas de uns, mais radicais do que nas vidas de outros, é certo, mas sempre acontecem. Boas ou ruins. E, muitas vezes, nos paralisam. Foi bom perceber isto na trajetória dela. Perceber que essa paralisia pós-mudança também faz parte de todo o processo e que não é necessário se culpar por não saber lidar logo de cara e numa boa com alguma mudança.
Danuza morou fora do país várias vezes - desde os 18 anos de idade -, teve várias profissões, três maridos, perdeu muito dinheiro, ganhou muito dinheiro, perdeu muita gente, ficou deprimida várias vezes, se reergueu outras tantas e começou de novo tantas outras. Aliás, "começar de novo" parece ser o lema dela. NA SALA foi seu primeiro livro e sua primeira experiência escrevendo. Somente depois foi que ela começou a escrever pra jornais. E tudo isto já com quase 60 anos - como ela mesma aponta, ela começou uma nova profissão numa idade em que a maior parte das pessoas está pensando em se aposentar.
Foi muito bom ler esse livro agora. Passei muito tempo com medo das mudanças em minha vida e outro tanto me culpando por ter esse medo. Nem uma coisa nem outra é bacana e, no começo deste ano, comecei a me preparar pra receber o novo, seja o for.
A leitura de QUASE TUDO veio no momento certo.
Outro detalhe que gostei muito no livro: ela teve um bom revisor. Muito bom ler um texto com todas as vírgulas no lugar, com frases coerentes, com um pensamento claro, correto na ortografia, na concordância, na pontuação. Coisa rara hoje em dia...
Escrito por Claudio às 03h02
[]
[envie esta mensagem]
centésimo nonagésimo segundo dia - um segundo adeus
Quanto tempo dura um luto?
Não, vou avisando de antemão, não estou naqueles dias de tristeza, nem o assunto foi suscitado por lembranças do meu passado. Continuo sem ter passado por nenhuma morte (física) de alguém próximo. Um dia, sei que poderei passar. E digo "poderei" porque nada é certo: também posso morrer antes de qualquer pessoa muito próxima a mim.
Mas, ontem, eu estava conversando com Edu sobre aquele amigo que morreu em novembro passado, o Palhaço Bocudo. Ou melhor, estávamos conversando sobre a permanência na internet da página dele no orkut e de seu blog.
Poucos dias depois da morte do João - esse era o nome dele -, eu fiquei inquieto com o que eu chamei de sobrevida virtual, que eu estava presenciando. Logo que soube da morte dele, abri seu blog e não resisti a deixar uma mensagem de despedida. Como o João morava em São Paulo, era uma forma de cumprir um certo ritual que amigos e parentes cumpriram no velório e no sepultamento (em Joinville, eu acho). Além de minha mensagem, várias outras apareceram, com a mesma função. Tiveram uma função extra: informaram aos amigos virtuais que o João havia morrido. Algumas pessoas só souberam da morte do João através dos comentários de despedida dos amigos no blog. Pessoas não acreditavam e perguntavam o que estava acontecendo. Teve uma pessoa que lia o blog achando que era de uma outra pessoa e só descobriu que o blog não era de quem ela pensava por causa das mensagens revelando o nome do João (ele só assinava como Palhaço Bocudo).
Como tinha um link aqui no meu blog, acabei entrando várias vezes no blog dele nos dias seguintes (e entrei até hoje pra escrever este post aqui) e via que o número de comentários crescia. Comecei a pensar na sobrevida virtual quando me deparei com um comentáro de alguém que não leu os outros comentários e escreveu como se o João estivesse vivo fisicamente. Aquilo me deixou inquieto, e eu pensei em escrever sobre o assunto, mas não o fiz. E os comentários no blog pararam no dia 30 de novembro, dez dias depois da morte dele.
Ontem, Edu me alertou para os comentários na página do orkut do João. Ele tava chocado com um comentário de uma pessoa que comparava o João a uma lenda urbana, à loira do banheiro (lenda paulista, da qual eu nunca tinha ouvido falar até uns quatro anos atrás). Na conversa, achei uma coisa meio de mau gosto, e decidi, finalmente, escrever aqui sobre isto.
Hoje, eu procurei a página do João e li os comentários. E me veio a questão com que abri esse post. Quanto tempo leva um luto? A morte de João não tem nem dois meses. Talvez seja natural que pessoas próximas não consigam ainda ter superado sua morte. Há ainda muitas mensagens de saudade. A última foi do dia 5 de janeiro. Tem lá a tal mensagem comparando o João com a loira. Não percebi como um desrespeito, mas como uma espécie de idolatria ao João. Idolatria que, pelo que Edu me falou, tem rolado também entre algumas pessoas do trabalho do João (os dois eram colegas de trabalho).
Mas eu me pergunto se isso não seria natural? João morreu cedo, tinha 36 anos (sim, pra minha sobrinha de 15, deve ser tarde, mas eu tenho 37, pra mim, é cedo pra caralho) e morreu abruptamente. Não foi uma morte esperada. Os amigos que conviviam com ele compratilhavam seus planos, sua vontade de se lançar como escritor (além de jornalista), o desejo de morar com o companheiro, a própria sexualidade assumida tardiamente. Todos esses planos tinham um quê de recomeço, de começo de vida mesmo, o que faz com que pareça realmente que a morte o ceifou logo no início, como ceifa um jovem. Talvez seja natural que essas pessoas lamentem, além da perda do amigo, a perda de um potencial. Eu, que o conheci por apenas dois meses e estive com ele por poucas horas, senti a perda desse potencial, pois gostava de ler o que ele escrevia e gostava de seus comentários aqui no outros dias. Há alguns dias, quando estava editando uns links em seu blog, Artur me perguntou: "O que é que a gente faz com o Ri, coração?" Era o blog do João. Eu não sabia o que responder. Eu mesmo ainda não havia apagado o link em meu blog. (Ainda não apaguei, inclusive. Vou apagar depois que concluir este post.) Foi uma coisa que pegou a gente de surpresa, e a gente não sabia o que fazer. Hoje, vendo as mensagens no orkut dele, vejo que muitas pessoas mais próximas ainda sentem muita saudade. Vi que o irmão não comemorou o ano novo. Vi que há uma amiga que escreve lá quase todas as semanas.
E penso, como Edu, se não seria o momento de deixar o João virtual também descansar em paz. Por outro lado, não sei responder à minha pergunta lá de cima. Não sei quanto tempo cada pessoa precisa pra fazer seu luto. Talvez ainda seja necessário, sim, pra essas pessoas, continuar com esse contato. Não sei. Eu, que acabei de sair de um luto de uma morte não-física, saída que está simbolizada pelo recomeço deste blog, acho que é importante deixar o passado no passado e seguir adiante. Mas sei o quanto me custou chegar até aqui e pensar no passado sem tristeza, sem culpa, sem me prender a ele. Foi preciso que a vida me desse um novo grande desafio pra lidar pra eu conseguir suplantar a perda passada. E isso aconteceu há muito pouco tempo. (E nada me garante que eu não fraqueje e tenha mais um flashback.)
Ontem, conversando com Edu, eu pensei realmente que deveria ser a hora de deixar o João virtual em paz. Hoje, lendo as mensagens, descobri que é a MINHA hora de fazê-lo. Por isso, tiro o link do meu blog hoje. E libero também o João.
Cada um, em seu momento, saberá a hora de fazê-lo.
Aproveitei pra apagar outros links aparentemente inativos.
Escrito por Claudio às 14h19
[]
[envie esta mensagem]
centésimo nonagésimo primeiro dia - um novo primeiro dia
Sim, o passado já passou. Não muda, não volta, não dá pra rodar a Terra na rotação contrária e mudar o rumo da história tal qual Superman. Então, é melhor deixar o passado no passado.
2006 começou com essa determinação, com a ajuda dos comentários dos amigos ao post do dia primeiro, o centésimo nonagésimo dia, que, por coincidência, se chamava "novo". Dos seis comentários que foram escritos até agora há pouco, 3 (o de Duda, o de Sidney e o de Déa) eram me dizendo justamente pra deixar o passado no passado.
Já tinha pensado em fazer isto desde o dia 3, mas o Lentox não me deixava acessar meu blog pra fazê-lo.
Hoje, tirei todos os posts anteriores. Não quero ficar tentado a voltar ao passado nem por aqui. Não quero ficar preso ao passado nem prendê-lo mais. Como disse Duda: "libera esse passado"!
Tá liberado.
Agora, é um novo outros dias. Novos dias.
Os posts passados estão guardados, claro. Mas não aqui.
Só pra constar: este blog foi iniciado no dia 22 de setembro de 2004. Os amigos continuam bem vindos.
Escrito por Claudio às 11h54
[]
[envie esta mensagem]
[ ver mensagens anteriores ]
|