| |
ducentésimo nono dia - folia
Estamos na recepção do hotel, esperando Edu chegar pra irmos à feira da Liberdade. Já vim trocentas vezes a São Paulo, mas nunca fui a essa feira. Devo encontrar meu irmão e família por lá. Ainda não nos vimos desde que eu cheguei.
Pretendia pegar muito cinema nessa carnaval, mas, até agora, o programa foi comer. Em todos os sentidos.
A exceção foi o espetáculo de dança Milágrimas, que fui ver na sexta à noite. Muito bonito. A trilha é fantástica e acho que me emocionaria mais se já não a conhecesse. Celso me deu de presente o disco com a trilha, que nos conduz a algumas surpresas. É um espetáculo com 41 jovens de comunidades carentes, mas muito bem treinados e ensaiados. O resultado é muito, muito bom. Não é nada qualquer coisa. É bem preciso, é bem feito. Não à toa, tem enchido há meses.
Ontem, fomos à Comix, uma loja de quadrinhos. É um parque de diversões pra Artur. Saiu todo endividado. Ficamos horas na lojinha. Vou me vingar na próxima vez que entrarmos na Neto Discos, que tem discos baratos e vou conferir um por um pra ver se quero comprar algum. (Da última vez que fiz isso, saí todo endividado - daquelas compras que a operadora do cartão de crédito liga pra saber se você fez aquela compra mesmo.)
Á noite, fomos à casa de Edu e ficamos batendo papo, vendo coisas em DVD, alisando os gatos. Terminamos a noite jantando, claro.
Estou com saudade do trabalho. Deixei uma trama pela metade, e, realmente, não dá pra trabalhar aqui. Mas fico com a cabeça lá. Acho que a volta ao Rio não vai ser mais tão difícil como a permanência lá na primeira semana, em que a saudade de casa, de Salvador, dos amigos, de Artur, era grande, e o choro vinha com extrema facilidade. Volto agora pra fazer uma coisa que gosto de fazer. E espero conseguir logo alugar o apartamento que eu quero pra morar.
Quero muito morar nesse apartamento. É um 2 quartos com vista pra um prédio, bem a cara do Rio. Mas, da varanda, vê-se o mar. E tem brisa, coisa rara na cidade.
Mas, ficando neste ou em algum outro, o importante é que esta vai ser a primeira vez, nos meus 37 anos de vida, em que eu vou morar num lugar que EU ESCOLHI. Isto é muito significativo.
Escrito por Claudio às 12h56
[]
[envie esta mensagem]
ducentésimo oitavo dia - E aí? Tô em Sampa
Já que, no comentário dela, Margareth já entregou tudo, estou escrevendo "E aí?" junto com ela.
"E aí?" vai ser a novela das seis da Record. Deve estrear em abril.
Já estou em São Paulo. Cheguei aqui quase à 1 da tarde. Artur deveria chegar às 3, mas esqueceu a carteira de identidade em casa e não pôde embarcar. Só chegou aqui às 10 e meia da noite. Fui buscá-lo no aeroporto com meu amigo Mário. De lá, fomos diretamente pro Ritz (aonde eu não ia desde o carnaval de 2003). Lá, tivemos a companhia de Edu, que, finalmente, conheci pessoalmente, depois de quase um ano de contato telefônico.
Noite bem agradável. Gosto muito de São Paulo.
Escrito por Claudio às 14h14
[]
[envie esta mensagem]
ducentésimo sétimo dia - quase em Sampa
São quase 3 da madrugada. Trabalhei até meia-noite e acabei batendo um papo com minha amiga até agora. Ia escrever mais, mas acho mais prudente dormir, já que tenho que sair de casa às 10 (e ainda tenho que arrumar mala, tomar banho, etc).
Penso em talvez continuar escrevendo de São Paulo, se tiver como fazê-lo. Ela diz que eu não preciso fazer isso. Mas, não custa tentar.
Escrito por Claudio às 01h59
[]
[envie esta mensagem]
ducentésimo sexto dia - trabalho e carnaval
Amanhã, depois de duas semanas no Rio, vou a São Paulo passar o carnaval (junto com meu amor, claro).
Na quarta de cinzas, volto ao Rio e ao trabalho.
Enquanto isso, trabalho bastante agora pra poder viajar.
Escrito por Claudio às 23h13
[]
[envie esta mensagem]
ducentésimo quinto dia - encaixe
Aos poucos, tudo vai se encaixando.
Esta tarde, visitei apartamentos. À noite, trabalhei. O trabalho está fluindo. Me divirto escrevendo, e isso é bom.
De um dos apartamentos, vi o mar. Que coisa linda estava o mar hoje. No playground, vista para uma montanha (ou um morro?): mais beleza.
Pela primeira vez, não chorei.
Aos poucos, tudo vai se encaixando.
Escrito por Claudio às 02h38
[]
[envie esta mensagem]
ducentésimo quarto dia - E aí, a vida não pode parar
O meu mapa numerológico tá cheio de números 5.
Cinco é o número da mudança.
Minha vida, nos últimos anos, sofreu mudanças radicais.
2006 começou com o anúncio de mais uma. Um convite. Fiquei tenso, não dormi, me descabelei, chorei, fiquei com medo, ansioso, sem saber que caminho deveria seguir.
Por sorte, dentre as mudanças que ocorreram em minha vida nos últimos anos, aconteceu Artur, que, com seu amor, seu carinho, sua compreensão e sua grande capacidade de ponderar, soube me apaziguar nas últimas semanas, se manteve sempre ao meu lado e me fez ver, só e simplesmente sendo como ele é, o que é o amor.
Esta semana, eu escolhi um caminho que me leva a mais mudanças.
Esta semana, mudei minhas perspectivas profissionais. Não sei ainda se estou trocando o certo pelo duvidoso ou se, na verdade, troco o duvidoso pelo certo. Mas troquei. Desejem-me sorte!
Esta semana, mudei de cidade. Vim ao Rio pra passear, mas vou morar aqui não sei até quando. Estou procurando um apartamento e espero já estar em minha casa quando Artur vier pro carnaval.
Esta semana, chorei muito de saudade. Talvez chore muito ainda. Talvez, um dia, me acostume. Ficaremos morando em cidades separadas. Não sei até quando o amor pode durar nessa distância, mas também quem sabe quanto tempo o amor pode durar morando junto? Prefiro pensar naquela canção da Gang 90, que diz que "pra quem ama, a distância não é lance / a nossa onda de amor não há quem corte".
Viveremos cada momento. E seja o que Deus quiser!
Mais uma vez, alea jacta est!
Esta tarde, andei pela praia, e esta música estava em minha cabeça. Foi uma promessa que eu ouvi. E eu sei que é verdadeira. Te amo!
oh when you're cold i'll be there hold you tight to me when you're low i'll be there by your side, baby
(BY YOUR SIDE - Sade)
Escrito por Claudio às 01h14
[]
[envie esta mensagem]
ducentésimo terceiro dia - rio (parte I)
Noite chuvosa no Rio de Janeiro.
O fim de semana foi bem corrido, mas quase todo em função de amigos que vieram conosco (Artur e eu). Artur e uma amiga dele vieram ao Rio pra fazer um curso, sábado e domingo. Como, na quinta, era aniversário dela, e como a filha mais velha dela mora aqui, ela resolveu vir passar o aniversário aqui, com a filha. Assim, de quebra, vieram também o marido e a filha mais nova. Artur resolveu vir também antes do curso, pra passar o aniversário da amiga junto com ela. Como eu já tava querendo vir pro Rio, vim também pro aniversário. Na reta final, a cunhada da amiga de Artur resolveu também passar o aniversário da outra aqui. E trouxe a filha. (E aproveitou pra ver o namorado, que mora aqui, e, finalmente, apresentar o namorado à filha adolescente.)
Artur chegou aqui na quarta à noite, mas eu só cheguei na quinta pela manhã. Peguei um vôo noturno e não dormi. Pensei em cochilar, quando vi que o dia estava nascendo. Da minha janela, não dava pra ver o sol. Vi uma nuvem com descargas elétricas. Fui pro outro lado do avião (o vôo estava bem vazio) e fiquei vendo o sol nascer por sobre as nuvens. O céu todo colorido. A imensidão branca por baixo do avião. Uma luz laranja, desenhando quadrados laranjas na parede da aeronave. Fiquei muito tempo vendo o sol nascer. Quando fechei a janela e os olhos, já estávamos perto de pousar.
Fui direto pra casa da filha da amiga prapegar Artur lá e irmos pra um apart-hotelzinho, mais ou menos barato, no qual morei em 98 e onde Artur e eu nos hospedamos em 2004.
É engraçado voltar a esse apart. No corredor, tem um cheiro forte de gás. Identifico esse cheiro ao período em que morei aqui. Foi um período em que eu fiquei deprimido e não sabia. O apart, sob nova administração, está melhor do que quando morei por lá, mais bem cuidado. Mas o cheiro é o mesmo. Os azulejos velhos no banheiro são os mesmos. A cozinha minúscula, o fogãozinho de duas bocas, a pia com aquele mármore gasto, o padrão dos lençóis, os "colchões" forrados com couro sintético amarronzado. Mas as janelas estão melhores e nos isolam do som dos ônibus lá fora (o apart fica numa das ruas mais movimentadas do Flamengo) e são cobertas com aquela película que nos protege de sermos vistos (pelo menos, de dia) pelas pessoas dos prédios em frente. O black-out nas cortinas funciona bem, e ficamos com um quarto escuro e silencioso, ótimo pra dormir.
Mas dormir foi o que eu não fiz no primeiro dia de viagem. Teve almoço de aniversário - num restaurante, num shopping na Barra, longe pra caralho - e jantar de aniversário - num lugar bem bacana (me parece que é um antiquário que funciona à noite como bar, boate e restaurante) com comida apenas razoável, mas com um samba legal tocando ao vivo e pista de dança. Só não dancei porque o sono era mais forte. Quando tentei dançar, vi que não tinha mais forças pra nada. Localizei um sofá vermelho, lindo, perto de uma janela (o calor estava insuportável) e fiquei por lá até me chamarem pra irmos embora.
Do sofá, vi uma traveca loura, daquelas quase mulher, fazendo uma dança sensual pra um coroa com cara de sacana. Junto deles, um coroa gordo horroroso e uma traveca tenebrosa. Boas duplas.
Na sexta, depois de uma boa noite (e uma boa manhã) de sono, fomos almoçar mais uma vez com a miga e família, dessa vez num shopping em Botafogo. Como nem eu, nem Artur, nem o marido da amiga aguentávamos mais shoppings, convencemos a amiga a irmos todos para o centro da cidade, que Artur ainda não conhecia. Mas as nuvens carregadas no céu prenunciavam muita chuva, e eu achei mais prudente não irmos ao centro, que costuma alagar com as chuvas. Decidimos tentar um passeio pela praia em Copacabana. E chamamos a cunhada e a filha da cunhada pra nos encontrarem em Copa.
Enquanto nos encaminhávamos para o metrô (pra filha da amiga conhecer), começou a chuva. Em pouco minutos, virou uma chuva forte. O marido da amiga ficou agoniadíssimo e resolveu pegar um taxi pra casa (eles estavam em Ipanema). E e Artur fomos a Copacabana e encontramos a cunhada e a filha adolescente, encharcadas. Como o programa andar pela praia furou, fomos os quatro tomar um sorvete em Ipanema e, de lá, fomos encontrar o resto do pessoal, que já tinha chegado em casa. Lá ficamos, já que a chuva piorou e a rua parecia um rio.
continua no post abaixo
Escrito por Claudio às 22h40
[]
[envie esta mensagem]
ducentésimo terceiro dia - rio (parte II)
continuação do post acima
No sábado, dormi até tarde, enquanto Artur foi ao curso. Depois, fomos ao casamento de um amigo, no Alto da Boa Vista.
Nunca tinha ido ao Alto da Boa Vista. O nome faz juz ao lugar. Fomos pela Tijuca. O caminho é lindo, no meio da floresta da Tijuca. Lindo demais.
E o casamento foi bem bonito. Tenho ido a muitas festas de casamento nos últimos meses, e essa foi bem legal.
Como disse Artur, tinha mais celebridades do que gente normal. Casamento de artistas. Muito fotógrafos no portão, tentando conseguir uma foto de qualquer famoso que aparecesse. Já no fim da festa, eu e um amigo fomos avisar aos seguranças da portaria (foi numa mansão, convertida em cerimonial) que ia chegar um táxi que nós havíamos pedido. Quando nos aproximamos do portão, zilhões de flashes. Os paparazzi não enxergavam quem vinha vindo, mas fotografavam assim mesmo. A chuva não parou de cair a noite toda, e eles ficavam lá assim mesmo. O que não se faz por uma grana...
A festa foi uma delícia. Como o noivo, apesar de ter nascido em Minas, é baiano (ora, eu mesmo, apesar de ter nascido em Feira de Santana, sou soteropolitano, e ai de quem disser o contrário!), tinha uma baiana de acarajé na festa. Disse ele que a baiana era de Itabuna. Mas ela disse a Artur que era de Niterói. O fato é que o acarajé tava bem gostoso. O vatapá, excelente. E achei uma gracinha eles terem colocado acarajé na festa. E os bem-casados eram amarrados com fitinhas do Senhor do Bonfim (na mesa dos doces: uns recheados baba de moça, com papel branco e fitas verde claro, e uns recheados com doce de leite, com papel verde claro e fitas verde escuro; na saída: bem-casados rechedaos com chocolate, envoltos em um plástico transparente e fitas brancas). Pra um baiano no Rio, foi bacana. Pros cariocas, talvez algo inusitado. Logo que chegamos, vi uma menininha com cara de nojo (e de nojenta) reclamando com a mãe: "Só tem acarajé?"
Mas tinha muito mais coisa. E o jantar não era baiano.
O discurso da juiza foi muito bonito. Simples, mas bonito. E rápido, o que o tornou melhor ainda. Eles entraram com uma música de Adriana Calcanhotto (que eu não sei qual é) e, no fim, tocou uma música com Bethânia ("Jeito de amar", de Gilson e Joram - é assim que escreve, Edu?). Na música de Bethânia, Artur falou: "Deviam ter me avisado! Tô quase chorando!" E, aí, eu chorei.
Chorei porque fiquei emocionado com o casamento, fiquei emocionado por estar ali ao lado de Artur, fiquei contente de ver a felicidade dos noivos e saber que não foi uma história fácil de acontecer. Fiquei emocionado com o amigo que, depois de conquistar o ouro de tolo da fama, sabia que "devia estar feliz", mas não estava.
Mas, ontem, esteve.
Voltamos pra casa na companhia de um divertido amigo baiano. Foi uma noite agradabilíssima, mas eu fiquei apreensivo depois. Artur partiria neste domingo, de volta a Salvador. E eu ficaria sozinho no apart. Fiquei.
Fui levá-lo ao aeroporto e até comprei um livro pra ler durante a noite. Mas é uma biografia de Antônio Maria e, diante da letra de "Ninguém me ama", que diz que "hoje, distante de tudo, me resta o cansaço, cansaço da vida, cansaço de mim, velhice chegando, e eu chegando ao fim", eu achei mais prudente procurar uma internet e escrever. Deixa Antonio Maria pra outra hora. Não nessa noite de chuva.
O detalhe é que esqueci de trazer os números de telefone dos amigos. Acabei conseguindo os números de alguns, mas com toda a priogramação, não deu pra encontrar ninguém fora da festa de casamento. Ia embora nesta segunda, mas devo ficar mais um tempo. Não sei ainda até quando. Tá tudo muito indefinido, mas não depende somente de mim. E isso me deixa muito, muito ansioso.
Escrito por Claudio às 22h39
[]
[envie esta mensagem]
ducentésimo segundo dia - de partida
Estou indo pro Rio daqui a pouco. Depois, irei a outras cidades. Só volto depois do carnaval.
Faz tempo que não viajo. Em 2005, só fui mesmo a Juazeiro, e foi tão rápido que nem conta.
Escrevei de onde estiver.
Escrito por Claudio às 23h09
[]
[envie esta mensagem]
ducentésimo primeiro dia #1 - hoje eu queria ser poeta (pena não sê-lo)
Hoje eu queria ser poeta, pra escrever em versos simples,claros, precisos, tudo aquilo que eu sinto, e ficar bonito.
Queria ser letrista, queria saber rimar sem soar ridículo, queria saber juntar as palavras e extrair delas a música. Queria saber tocar piano. Ou violão, ou o que fosse. Pra botar pra fora o que eu sinto e transformar em arte. Pra transformar meus sentimentos em sentimento de muitos. E continuar sendo meu, só que diferente.
Queria ouvir no rádio alguém cantando a minha música.
Mas o que eu sei é escrever em prosa.
Mas o que eu sei é escrever diálogos, é criar pessoas, é fazer de outros o que devia ser eu.
Queria uma peça que não precisasse de história, que bastasse o discurso, se eu tivesse certeza de que discurso fazer.
Já soube escrever o que eu sentia, mas aprendi a escrever o que não sentia também.
Já soube rir ao escrever. Já soube chorar.
Já não tive pudores.
Deveria não ter.
Mas tenho.
Por que é que a gente vai ficando velho e vai ficando com medo?
Escrito por Claudio às 05h13
[]
[envie esta mensagem]
ducentésimo primeiro dia #2 - pra poucos, pra constar
Alea jacta est!
Hoje, eu vou dormir sem ficar louco.
Escrito por Claudio às 04h36
[]
[envie esta mensagem]
ducentésimo dia - alguém assistindo
Logo depois de escrever o post anterior, ao som do disco BICHO, de Caetano (o que começa com "Odara" e termina com "Alguém Cantando"), botei outro disco dele, OUTRAS PALAVRAS, e cantei junto.
Gil, meu parceiro em VIXE MARIA, tinha me chamado pra ver outro filme à noite, mas eu achei que ia ser outro filme depressivo e resolvi ir ao teatro, ao invés do cinema, rever minha peça VIXE MARIA pra me distrair um pouco (e aproveitar pra ver um ex-aluno dos Correios que estava estreando esse fim de semana na peça, substituindo um ator que adoeceu). Com o disco de Caetano ainda tocando nas alturas, liguei pra produtora, pra ela reservar meu ingresso, e não é que ela me disse que Caetano tava lá?
E ainda tem gente que se queixa quando um autor enche sua peça de coincidências.
Escrito por Claudio às 00h53
[]
[envie esta mensagem]
centésimo nonagésimo nono dia - alguém cantando
Deixa eu dançar Pro meu corpo ficar odara Minha cara Minha cuca ficar odara Deixa eu cantar Que é pro mundo ficar odara Pra ficar tudo jóia rara Qualquer coisa que se sonhara Canto e danço que dará
ODARA (Caetano Veloso)
Sexta-feira, acordei com uma música na cabeça. Isso acontece muito. Acordo com aquela música e ela meio que me persegue o dia todo até que eu a escute. Por sorte, o disco que tinha a música desta sexta estava aqui e não no apartamento da Boca.
Não, não foi Caetano, que escutei ontem, sábado. Mas era dançante. Coloquei a música enquanto me preparava pra ir à praia, esperando chegar lá e tomar um pouco de sol. Mas a música me tomou e acabei escutando todas as canções dançantes (e cantantes) do disco. Escutei com o som alto, como há muito não fazia, e dancei pra valer, como há muito não fazia. E soltei a voz. Tava precisando daquilo, daquela liberação de energia promovida pelo canto e pela dança. Passei dias com as costas doendo, com muita tensão. Passei quase uma hora cantando e dançando. Isso me fez muito bem.
Ainda deu tempo de ir à praia do Porto, pegar um fim de sol e dar um mergulho. Quase nunca entro na água, mas, nesta sexta, o mar estava absolutamente convidativo (como no domingo passado).
Voltei pra casa me sentindo muito mais leve.
O banho também foi com muita música, cantando e dançando. Muito, muito bom!
Ontem, quando escutei ODARA, pensei que estou mesmo precisando disso. Dançar e cantar mais. Fiquei muito tempo parado, paralizado pelas mudanças que foram ocorrendo em minha vida, pela antiga culpa, etc. Fui represando muita energia. O corpo tava precisando desse movimento.
Fiquei inspirado também pelas fotos que viu no blog de uma amiga, recém-separada. Não sou íntimo dela, não sei exatamente como têm sido os dias dela, mas, nas fotos dela com amigos, vi uma busca de momentos alegres. Sim, é importante passar pelo luto, mas também é importante deixá-lo passar. Me pegar cantando e dançando (e mergulhando!) me sinaliza que há uma mudança de atitude minha em relação a tudo o que aconteceu. Fui à praia algumas vezes nos últimos anos e sempre me dava uma certa tristeza, uma melancolia. Nesta sexta, eu me senti muito, muito bem.
Enfim, tenho me sentido muito mais vivo, apesar de um relativo tédio por não estar produzindo nada no último mês. Um pouco por não ter o que fazer, um pouco por não ter muito tempo pra escrever aqui no computador, já que o quarto tem ficado sempre ocupado (e me desacostumei a escrever a mão). Mas tenho lido, e isso é bom.
O próprio evento que me deixou submerso em meu mundo interno no sábado da semana passada já sinalizava, de uma forma diferente, que estou com outra atitude em relação às coisas. Estou menos passivo (e menos pacífico também). Também me fez me sentir vivo.
Acabei de ver BROKEBACK MOUNTAIN. Definitivamente, nao é um filme do qual se saia com vontade de dançar e cantar. Mas é o que farei agora.
Escrito por Claudio às 18h15
[]
[envie esta mensagem]
centésimo nonagésimo oitavo dia - muita areia pro meu caminhãozinho
Na segunda à noite, o irmão de Artur foi embora com a família. Agora, de hóspede, só resta a amiga de Araçatuba, e eu e ela demos uma boa faxinada na casa na segunda à noite, já que o pessoal foi embora, mas deixou a praia aqui. Era areia no quarto, areia na sala, areia no sofá, areia na cozinha, na área de serviço, areia no boxe do banheiro...
Falando em praia... No domingo, EU fui à praia! E na hora do câncer! Ok, já no fim da hora do câncer, 2:30 da tarde. Fui pra Guarajuba com Artur e amigos,e fui uma ida à praia com tudo que tínhamos direito: caminhada pela areia (que eu adoro), banho de mar (a água estava absolutamente deliciosa), água de coco, farofa (abafe!), carne do sol, pititinga frita e, no fim da tarde, banho de piscina no condomínio em que os amigos de Artur estavam. Depois, fomos a Praia do Forte e comemos num italiano. Comi um nhoque de majericão com molho de quatro queijos absolutamente delicioso. Chegamos em casa quase à meia-noite. Foi um dia bem agradável. Mas precedido por um estresse na noite anterior sobre o qual não vale a pena, ainda, comentar.
Não consegui dormir na madrugada de sábado pra domingo e fiquei em meu mundo interno.
No meu mundo interno, muita coisa acontece, eu falo tudo o que eu quero, eu digo tudo o que eu sinto, eu vivo muito intensamente, e o futuro chega em instantes. Enquanto isto, em meu mundo externo, o coração dispara, o corpo dói, a respiração quase pára, e o sono não vem. Eu vejo o mundo acordar, eu vejo o dia clarear e acabo procurando coisas pra fazer até ficar esgotado e conseguir apagar.
Não gosto quando me perco em meu mundo interno.
O blog às vezes me ajuda a sair do meu mundo interno. Mas não pude escrever aqui de sábado pra domingo. Viajei sem descanso. E, apesar de uma boa conversa à beira-mar, o corpo se ressentiu o dia inteiro do acontecido.
Esta terça, dormi bem. As formigas ainda atacam meu colchão, mas já percebi que ela vão atrás das asas dos cupins, que deixam seus apêndices mebranosos (sim, precisei de um dicionário pra chegar a isto) por todo o quarto no fim da tarde. Assim, antes de me deitar, tiro as formigas, esmagando uma a uma (adoro esmagar formiga, eu não dou pra budista!), sacudo os travesseiros e os lençóis pra me livrar das asas e pronto. Posso dormir à vontade.
Tive uma tarde tranqüila em casa. Depois, fui ao cinema, assistir a VIDA DE MENINA. Bonito. Delicado. E toca uma canção ("É a ti, flor do céu") que me remete a minha infância. Acabei chorando e fiquei com a música na cabeça. Lembranças vagas de viagens de carro com a família por Minas Gerais.
Escrito por Claudio às 03h23
[]
[envie esta mensagem]
[ ver mensagens anteriores ]
|