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ducentésimo vigésimo primeiro dia - de volta ao Rio
Cheguei agora há pouco de Belo Horizonte. Sim, estive em Belo Horizonte. Sim, dormi naquele dia até as 6 da tarde e foi bom. Nos dias seguintes, dormi pouco. Minha avó, mãe de meu pai, teve mais um avc, foi internada no sábado, teve morte cerebral no domingo e, por fim, fez a passagem no início da manhã de segunda.
Agora, de volta ao Rio, estou sem internet no quarto/escritório em que durmo e invadi o quarto do filho de Margareth pra escrever aqui rapidinho.
Depois, falo mais sobre o que senti nesse fim de semana.
Escrito por Claudio às 00h24
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ducentésimo vigésimo dia - sampa
Fim de noite, começo de manhã em São Paulo.
Acabei de ir com meu irmão mais velho pegarmos meus pais e os outros irmãos no aeroporto. Primeira vez que Danilo vem a São Paulo.
Fomos direto pra Galeria dos Pães, pois estávamos todos com fome.
Tinha pensado em dividir um quarto com meus irmãos, mas acabei ficando num hotel diferente do deles. Assim, nem eu os incomodo com meu horário maluco nem eles me atrapalham com o horário normal deles.
Hoje, durmo até o cu fazer bico.
E Danilo perguntou: o que é que tem na esquina da Ipiranga com a São João?
Respondi: uma sex shop.
(Nem sei se é mesmo na esquina, mas a história é de Artur e deixo pra ele contar.)
Escrito por Claudio às 04h20
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ducentésimo décimo nono dia - o tempo voa que é uma loucura
A semana ficou curta.
Voltei de Salvador na segunda à noite. Estava tão cansado que só me recuperei de verdade hoje. Tenho dormido mais cedo, e isso é bom.
A semana foi de coisas práticas. Levei documentos na emissora, fui escolher cortinas pro apartamento e já mandei fazer o orçamento do aluguel do ar-condicionado. Mas tá faltando justamente o apartamento.
Depois que providenciei todos os meus documentos, a corretora veio me dizer que o imóvel do meu fiador não consta da declaração de imposto de renda dele e que, por isso, eles não podem fechar o contrato. A questão é que é um imóvel antigo e me parece que o fiador não precisa mais declarar (foi quitado há 16 anos).
Agora, ou eles aceitam assim mesmo, ou eu tenho que achar outro fiador. Ou outro apartamento.
Que saco!
A pensão de tia Celina agora é internacional.
Artur foi me levar ao aeroporto na segunda e, pra voltar pra casa, ficou esperando o frescão, que não passava nunca. Acabou fazendo amizade com dois estrangeiros, um italiano e um coreano, que estavam no porto de ônibus e tavam sendo enrolados por um taxista. Os dois estrangeiros, que não se conheciam, estavam ainda sem hotel, e tia Celina os chamou pra dormirem lá em casa naquela noite.
Estão lá até hoje.
Houve uma preocupação geral, Celso achou que Artur tava maluco, mas acho que Artur está se divertindo com a casa cheia. Ele gosta de casa cheia e, comigo aqui no Rio, é bom pra ele não se sentir sozinho.
Parto hoje pra São Paulo. Aniversário de meu irmão mais velho. Encontrarei meus pais e meus outros irmãos por lá. E comerei de novo aquela carne apimentada do Mestiço.
Escrito por Claudio às 01h42
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ducentésimo décimo oitavo dia - felicidade
Gostei da "loucura" de vir a Salvador pra ficar só o fim de semana. E me fez constatar duas coisas relativas ao trabalho:
1) Estou feliz com o trabalho;
2) Sou viciado em trabalho.
A caminho do aeroporto, no sábado pela manhã, eu fiquei pensando nisso. Ficar sen trabalhar me deixava inseguro antes, mas eu achava que era por causa da falta de dinheiro. Mas agora, eu vi que é falta do trabalho também. Preciso de equilíbrio entre trabalho e lazer. (Acho que todo mundo precisa.) Como a gente diminuiu o ritmo na semana passada, eu fiquei me sentindo inútil. Eu sei que, quando eu tenho muita coisa pra fazer ao mesmo tempo, eu fico sem chão e louco pra ter umas férias. Mas ficar sem nada pra fazer de concreto me dá um vazio muito grande. Sim, tenho que trabalhar isso na terapia. Trabalhar, criando, faz com que eu me sinta vivo. Mas preciso aprender a me sentir vivo quando estou só comigo mesmo.
Mas estou feliz com o trabalho. Percebi isso muito claramente aqui em Salvador agora.
Foi bacana rever os amigos. Celso, que foi me buscar no aeroporto e fez um almoço delicioso na casa dele, pra mim e pra Artur, e me ajudou a fazer a surpresa. À noite, eu e Artur saimos com um casal de amigos (Miréia e Ariston), a filha deles, e outro amigo (Dino) e fomos ao Pasta Fest do Rio Vermelho. Lá, encontramos Djaman e Alberto. Foi ótimo encontrá-los. Desde que Dja se mudou de Salvador, eu só os vi uma vez, quando eles foram rever VINGANÇA. (Taí, fiquei na dúvida: na época do show de Bethânia - há um ano, mais ou menos - Dja já tinha se mudado?)
Neste domingo, almoço com Celso, evangelho em Miréia e fim de noite com o Icarus. Hoje, terei almoço com meus pais.
Escrito por Claudio às 01h26
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ducentésimo décimo sétimo dia - seguindo a seiva
Seguindo o conselho do Ita, mesmo antes de lê-lo, vim pra raiz.
Terminei o post anterior, entrei no msn e me deparei com minha sobrinha. Ela perguntou como tava o trabalho, eu falei que nessa semana tava pouco e que não tinha o que fazer no fim de semana e que queria estar em Salvador. Ela me fez a mais simples da pergunta: "e por que o senhor não vai?"
Vim.
Fico até segunda.
E ainda fiz surpresa pra Artur. Ele ia almoçar na casa de Celso. Assim, combinei com Celso de ele me pegar no aeroporto e irmos pra casa dele pra que, quando Artur chegasse pro almoço, me encontrasse. Foi ótimo. Deu tudo certo!
Escrito por Claudio às 02h34
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ducentésimo décimo sexto dia #2 - Thanks God it's Friday
Noite de tédio.
Passei o dia pensando em ter uma noite de axé music, show de Daniela no Canecão, pois havia duas possibilidades de conseguir convites. Os convites furaram e fiquei sem programa. Os programas que os amigos estão fazendo não me atrairam.
Acho que estou cansado. Tenho dormido pouco. Meus hábitos não se enquadram nos hábitos da casa e meu dormir tarde e, conseqüentemente, acordar tarde se esbarram na hora do almoço. Pouco sono me dá uma sensação de melancolia, o que vira um círculo vicioso, pois essa sensação me dá tédio, que dá vontade de sair, que me faz dormir tarde e acordar tarde.
Gosto da noite. Agora que estou perto de assinar o contrato do aluguel do apartamento aqui na Barra, vem a dúvida: será que agüento morar aqui? Será que eu tô forçando demais a minha natureza, morando num lugar paradão à noite?
Por outro lado, o grande problema é que agora estou paradão de dia também. Essa semana, o trabalho foi quase nada. Dá uma sensação muito grande de inutilidade. E mais, cada fim de semana que fico aqui sem fazer nada do trabalho, eu penso: puxa, eu podia estar na Bahia.
Sei que, em Salvador, a sensação de tédio também seria mais ou menos a mesma. Conheço bem essa sensação. Mas, neste momento, estaria junto a Artur, estaria encaixotando meus discos (decidi que vou trazer meus discos pra cá - estou há tempo demais longe deles). Por outro lado, tinha que esperar documentos pra fechar os contratos. Um documento que foi prometido pra terça só chegou na quinta. E as coisas vão se atrasando. Pelo menos, já fiquei que na próxima semana posso começar a encomendar coisas pro apartamento. Tenho que deixá-lo habitável logo.
Estou entediado de ficar aqui sem nada pra fazer de verdade. Mas, por enquanto, sem data de estréia, não adianta muito correr com os capítulos. Uma frente grande demais é um risco. E já estamos bem adiantados.
Mas tenho medo que, logo que acerte tudo aqui, a data seja marcada e eu não tenha mais tempo hábil de ir a Salvador resolver as coisas que tenho que resolver. Tenho tratamento dentário pela metade, tenho mudança pra cuidar, tenho outros assuntos a resolver.
E tenho que abraçar e beijar o meu bem, que a saudade está grande.
Escrito por Claudio às 22h57
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ducentésimo décimo sexto dia - poeminha constatação
Só guardo e-mails de desamor.
Os de amor, eu jogo fora.
Guardo pra lembrar o que eu quero esquecer.
Escrito por Claudio às 03h03
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ducentésimo décimo quinto dia - o pulso ainda pulsa
Cheguei em casa esgotado. Energeticamente esgotado. Coisa estranha.
Sim, dormi pouco, mas não é só isso. São muitas coisas que não sei ainda formular, ou talvez não queira formular aqui no blog. Mas preciso escrever: estou esgotado.
E não é do trabalho não.
Esta madrugada, faz exatamente um mês que comecei a escrever a novela com Margareth. Faz um mês que eu vi que eu podia, que eu me fiz conseguir. Um mês. Foi uma alegria me sentar aqui e escrever sozinho meio capítulo. Foi uma alegria Margareth ler e gostar. Foi uma alegria, pois eu não escrevia sem alguém do meu lado há um bom tempo, desde 2001. (2003, acabei de me lembrar de um trabalho de 2003. A coisa não foi tão má assim.)
Mas, esta madrugada, apesar de Margareth ter me deixado somente 3 cenas pra fazer, eu não vou escrever. Vou dormir. Estou esgotado. E não é do trabalho não.
Escrito por Claudio às 05h01
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ducentésimo décimo quarto dia - estréias
Foi uma segunda-feira de novelas. Assistimos à concorrente que estreava, SINHÁ MOÇA, e à novela das 8 da Record, CIDADÃO BRASILEIRO.
É engraçado ver uma novela não pelo prazer de assistir ao programa, mas pensando no trabalho.
CIDADÃO terminou com um bom gancho e ficou com uma boa média na prévia do Ibope. O Ibope de SINHÁ também foi bom. Vamos aguardar pra ver como a audiência se comporta daqui pra frente.
Escrito por Claudio às 01h41
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ducentésimo décimo terceiro dia - orkutaí
Gente, já tem uma comunidade no orkut dedicada à novela, que nem data pra estrear tem ainda.
É engraçado porque o pessoal fica especulando sobre a história, o elenco, etc. E já fazem sugestões.
Entrei, né?
Quem estiver no orkut e quiser dar uma olhada, é só clicar aqui.
Escrito por Claudio às 00h26
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ducentésimo décimo segundo dia - bússola
Aos poucos, o quebra-cabeça da Barra vai se completando em minha mente. Hoje, vi um episódio de A DIARISTA, e tinha uma visão aérea da Barra. Reconheci na hora.
Preciso de um mapa daqui urgentemente.
Escrito por Claudio às 02h15
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ducentésimo décimo primeiro dia - do outro lado do rio
Em primeiro lugar, quero agradecer os comentários deixados no post abaixo, além da carinhosa mensagem de um amigo que, por não querer ficar preso às 1000 letras do uol, preferiu me mandar um e-mail. Foram todos emocionantes (começando pelo de Margareth), que fiquei sem palavras pra responder a cada um individualmente. Muito, muito obrigado.
Como canta a Fernanda Abreu, em RIO 40 GRAUS (dela e Deus sabe de quem mais - acho que Fauto Fawcet e outro), "o Rio é uma cidade de cidades misturadas". No sábado, depois de semanas na Barra, voltei a cruzar o túnel e fui encontrar um amigo na Zona Sul.
A Barra da Tijuca é um Rio paralelo. Aqui, você encontra até uma Pizzaria Guanabara, Bibi Sucos, uma orla com seus postos 1, 2, 3, etc... É outra cidade. Claro que chamo de Rio paralelo me referindo à Zona Sul. Porque a Tijuca também é outra cidade, e a Zona Norte, então, nem se fala. (Tenho uma tia em Piedade, bem no meio da Zona Norte.)
Mas sempre fiquei aqui na Zona Sul. Passei a vir à Barra quando conheci Margareth e fiquei hospedado na casa dela algumas vezes. Mas a Barra sempre me pareceu muito estranha. Margareth morava num condomínio em frente ao Barra Shopping, mas só saíamos de carro, até mesmo pra ir pra esse shopping. Na minha cabeça, a Barra era um lugar com tudo distante, um lugar impraticável pra quem, como eu, não dirige.
Nestes últimos dias, tenho visto lugares bacanas de se ir na Barra, e ruas em que há movimento de gente, em que há comércio. Tô achando interessante.
Mas, nesse sábado, como eu dizia, voltei à Zona Sul. Fui encontrar meu amigo entre Copacabana e Ipanema. Saimos andando por Ipanema, comemos, tomei sorvete na Mil Frutas (que eu adoro - e fiquei sabendo, através desse amigo, que tem uma num shopping mais ou menos perto de onde vou morar). Foi bom. Tava precisando sair um pouco de casa e voltar a ver os amigos. Outro problema da Barra: quando você está aqui, fica com preguiça de ir pro outro lado do Rio.
Pensei nisso ao sair do túnel entre a Barra e São Conrado. Quando a gente tá saindo do túnel, a primeira coisa que a gente vê é a Rocinha e suas luzes. Não tem morro com favela na Barra. Ver a Rocinha iluminada me fez lembrar do nome da música do Jorge Drexler que ganhou o Oscar há um ano: AL OTRO LADO DEL RIO. Você atravessa o túnel e chega do outro lado do Rio.
No outro lado do Rio, eu sei andar, mas anda-se com medo. Desse lado do Rio, eu só ando pela praia, de dia, pois, à noite, aqui perto, não tem muita coisa. Mas estou num condomínio com uma portaria que garante um acesso limitado, o que dá uma certa ilusão de segurança. A Barra é o bairro dos condomínios fechados, com segurança.
Mas no Jardim Oceânico têm rolado uns assaltos, segundo me disse Ana. Jardim Oceânico é um dos lugares da Barra (tô dizendo que é um Rio paralelo; dá pra separar até os "bairros" dentro do bairro).
Espero conseguir alugar o apartamento que eu quero, que é num outro tipo de condomínio, com comércio perto e vida noturna (barzinhos e restaurantes). Vamos ver como será a segurança por lá.
Escrito por Claudio às 12h14
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ducentésimo décimo dia - fé
Cheguei agora há pouco no Rio.
Cheguei e fui direto à praia, caminhar pela areia, ver o mar, com o sol se pondo.
Andei do posto 6 ao posto 5. Na volta, pensei: vou conquistar essa cidade. Aquilo me pareceu um sonho megalomaníaco, super clichê de melodrama, e, agora, respondendo ao comentário de Claudinha ao post anterior, vejo que não sou eu que tem que conquistar a cidade. Eu preciso agora que a cidade me conquiste.
Em 98, quando estive por aqui pra fazer a oficina de teledramaturgia da Globo, minha pele ficou ruim, minha cabeça ficou ruim, não fiquei feliz. O Rio tinha sido sempre, pra mim, sinônimo de alegria e sexo. Em 98, a cidade se misturou com depressão.
Desta vez, na minha primeira semana aqui, fiquei com muita saudade, muito medo do que pode vir por aí, medo de não fazer certo meu trabalho, medo de não corresponder às expectativas que depositaram em mim. Chorei muito e fiquei dias dentro de casa, sem sair, sem ver o sol. No quarto dia, fui à praia e comecei a perceber a beleza da Barra, uma beleza que eu não conhecia ainda. A Barra tem um grande problema pra quem não dirige. Muitos de seus condomínios são feitos pra quem tem carro. A locomoção via ônibus aqui não é tão simples e fácil quanto na Zona Sul. A perspectiva de morar na Barra também me assustou.
Depois de conhecer alguns condomínios, procurando apartamento, comecei a definir melhor a Barra em minha cabeça.
Hoje, quando cheguei aqui, precisei andar pela praia, olhar a Barra, olhar essa cidade, começar a adotar essa cidade como minha, assim como adotei Salvador.
Escrevendo agora, bate aquela dorzinha no peito. Aquela angustiazinha, aquela saudadezinha. Tá dando vontade de chorar. Mas se que isto não pode impedir minhas conquistas. Conquistar a cidade é conquistar novas relações, conquistar um novo espaço, é aprender a cidade, é saber aonde levar os amigos pra comer, é saber optar entre um cinema e outro, uma lanchonete e outra, um espaço e outro. É fazer, dessa cidade, minha cidade.
Passei no mestrado em Letras, pensando em lançar um olhar sobre a Cidade de Salvador. Tenho agora que lançar meu olhar sobre São Sebastião.
Que Deus me guie.
Escrito por Claudio às 19h11
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