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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, Homem, de 36 a 45 anos



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ducentésimo trigésimo terceiro dia - "sinal dos tempos em nós"

Sinal dos tempos...

Nesse fim de semana, fiquei viciado em uma coletânea do Heróis da Resistência, o grupo que Leoni formou logo depois da saída dele do Kid Abelha.

Tenho duas coletâneas do Heróis, praticamente iguais. Por quê? Acho que porque tinha uma música que eu gostava em uma que não tinha na outra que eu já havia comprado. Coisa de viciado em música.

Mas o mais impressionante é que, apesar de ter duas coletâneas, eu nunca tinha escutado nenhuma das duas inteiras. Eu só botava as canções que eu conhecia do primeiro disco deles, de 86 (SÓ PRO MEU PRAZER, DUBLÊ DE CORPO e ESSE OUTRO MUNDO, e acho que foi uma dessas que não tinha na outra coletânea que eu tenho - a que eu escutei esse fim de semana tem as três).

Nesse fim de semana, eu escutei tudo e adorei. Escutei canções que ouvia no rádio em 88, na época em que eu morava numa casa de fundos dos fundos. Sabe aquelas casas que você desce uma escada ao lado e tem outra nos fundos? Pois é, eu morei num lugar em que você descia uma escada, chegava na casa dos fundos, descia outra escada do lado da casa dos fundos e chegava na casa em que eu morava. O dono tinha proveitado os alicerces e fez uma casa, lá embaixo, junto ao terreno em que a casa da frente a a dos fundos jogavam seu lixo. A casa tinha pulgas e era tão úmida que a geladeira ficava molhada por fora. (Eu achava que era um problema da geladeira, mas, depois que saí da casa, descobri que a geladeira ficava sequinha.) Meu quarto não tinha janela e, por conta da umidade e falta de sol, meus móveis, colchão, travesseiro, roupas ficaram mofados. Passei a dormir no quarto de Tânia, minha roommate, que tinha janela. Eu ia pro colchão dela (ela não tinha cama) quando ela saía pra trabalhar. Foi um período em que eu tinha largado a faculdade, não tinha aula, e ficava a madrugada sempre acordado, já que não podia ir dormir enquanto Tânia dormisse (era um colchão de solteiro).

Sem poder dormir, comecei a escrever. Fiz uns contos. Fiz um conto-presente pra uma amiga. Escrevi minha memórias (sim, com 20 anos, eu achava que já tava na hora de escrever minhas memórias).

Só comia sardinha porque não tinha dinheiro pra comer outra coisa. (E fiquei tão enjoado de sardinha que não posso ver na minha frente até hoje.)

Era uma casa que eu tinha vergonha de morar. O único amigo que levei lá foi Celso.

Mas, nas madrugadas, eu ouvia música num rádio-relógio que tinha sido de minha mãe. Uma das que mais tocavam naquelas madrugadas, era uma canção de Lobão, que eu adorava, chamada POR TUDO QUE FOR. Me arrependo de não ter comprado o CD dele que tinha a música. Nunca mais a encontrei (em nenhuma das trocentas mil coletâneas que lançam a cada ano).

E acho que também escutava essa do Heróis nas minhas madrugadas: SILÊNCIO. Mas pode ser também que eu a escutasse no apartamento em que fui morar no começo de 89. Eu realmente não me lembro. Só sei que, quando escutei a canção, percebi que eu tinha escutado muito aquela música no passado. E, ops!, lá se vão quase 20 anos. Sinal dos tempos...


SINAL DOS TEMPOS é o nome de uma das canções da coletânea que fiquei ouvindo durante o fim de semana. Essa é de 90, e eu não conhecia.


Passei o fim de semana praticamente sem sair de casa. Antigamente, eu ficaria entediado de ficar tanto tempo em casa, sozinho (Artur está viajando). Mas tenho me sentido cada vez mais caseiro. Saí na sexta pro aniversário de Tom, saí pra comer no restaurante perto de casa com Celso no sábado, e fui ao mercado perto de casa duas vezes. Gostei de ficar em casa. Há algum tempo, seria um fim de semana triste. Mas foi tranqüilo. Foi bom estar comigo.

Sinal dos tempos...



Escrito por Claudio às 07h39
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ducentésimo trigésimo segundo dia - euforia

Espalhem pelos quatro ventos: eu estou vivo!

E muitas vezes me parece que sou outro.

O vampiro sob o sol deixou sua pele mortal e vive outra vida. Com todas as lembranças da vida anterior, mas em outra.



Escrito por Claudio às 01h33
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ducentésimo trigésimo primeiro dia - bye, bye, lentox!

Finalmente, o velox foi instalado em meu computador em Salvador. Já posso trabalhar em casa sem maiores problemas. E ainda me livrei da conexão da NET!

Escrito por Claudio às 18h50
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ducentésimo trigésimo dia - mudando de estação

O Rio está friozinho. Salvador estava fria quando eu saí de lá. Sim, chega maio e o frio começa a vir. Não é um frio que se compare ao frio de São Paulo, ou até mesmo de Vitória da Conquista. Mas eu sou friorento. Detesto sentir frio. E a mala agora ficará mais pesada com capotes e casacos...


Dormi muito, quase 20 horas seguidas, no domingo. Tava havia dias sem dormir direito e exagerei. Sempre que durmo demais, fico com as costas doendo. Pois as minhas doem desde domingo. Estou tomando um antiinflamatório.



Escrito por Claudio às 23h52
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ducentésimo vigésimo nono dia - prepúcio

Chego hoje a Salvador.

Tô que nem pele de pica: só indo e voltando!



Escrito por Claudio às 03h05
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ducentésimo vigésimo oitavo dia - de volta à cidade maravilhosa paralela

Rio, Rio, Rio!

Depois de um mês, volto ao Rio pra resolver coisas por aqui. Reunião, ida a banco, matar saudades (parece estranho, mas é isso mesmo), olhar apartamento, entregar documentos, etc.

Volto a Salvador no fim de semana, pros 70 anos de minha mãe. Depois, devo voltar pra cá, olhar mais lugares pra morar, preparando minha vinda, formando meu espaço, pra trabalhar melhor.

Nesta quarta, conheci a nova colaboradora: jovem, 22 anos, bem perto do universo que a gente tá abordando. Acho que foi uma boa aquisição.

Estou muito contente e muito tranqüilo hoje. Realmente, sou viciado em trabalho! Nunca imaginei!



Escrito por Claudio às 01h30
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ducentésimo vigésimo sétimo dia - madrugada

Somos todos sozinhos.

Minha solidão me bate nas madrugadas afora, quando todos dormem e eu, depois de horas acordado, desperto.

Gosto de ficar só de dia, quando acordo.

Agora é madrugada.

Somos todos sozinhos. 



Escrito por Claudio às 01h03
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