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ducentésimo quadragésimo dia - superação
Ficar sem escrever por muito tempo é uma loucura porque as coisas vão se acumulando.
Há uma semana, meus pais e minha irmã chegavam ao Rio. Vieram ver a peça.
A última vez em que os três estiveram aqui foi em 1965. Eu nem era nascido, e minha irmã era uma criança de 3 anos. Nessa época, minha mãe, que tem medo de altura, não subiu ao Cristo com meu pai e duas primas dela (uma das quais morava aqui). Ficou embaixo, batendo papo com o marido da prima minhoca (habitante da terra).
Desta vez, ela resolveu subir ao Cristo. Na sexta, fomos os quatro e Artur (que chegou na quinta). Pegamos o trem e fomos subindo pela trilha verde. Já perto do Cristo, a floresta se abre e dá pra ver a cidade lá embaixo, o Jockey, a Gávea. O trem inteiro soltou um "Oh" de admiração.
Descemos do trem, pegamos o elevador e as escadas rolantes (em 65, não tinha elevador nem escadas rolantes no Cristo). Quando cheamos lá em cima, minha mãe começou a chorar. Não pelo próprio Cristo (que é lindo), mas por ter conseguido superar o medo, 41 anos depois.
Ela não só superou o medo, como superou as dores da artrite. Não teve artrite certa. Ela andou de um lado pro outro lá em cima, vendo toda a cidade, fotografou, comprou trocentos souvenires (como é que se escreve isso?). Depois, levei-os para comer esfiha no Largo do Machado. De lá, minha mãe quis conhecer o palácio do Catete. E andamos até lá. Andamos pelo parque que há no fundo do palácio (e que eu não conhecia). Depois, ela ainda foi andar pela praia de Copacabana, já que, na quinta, o passeio foi reduzido a andar pelo comércio da Av. Nossa Senhora de Copacabana.
No dia seguinte, ela amanheceu com as pernas doendo, mas, mesmo assim, fomos ver o Pão de Açúcar (eu nunca tinha ido).
Lá em baixo, ela ficou com medo. Mas resolveu ir assim mesmo. O primeiro bonde, até o Morro da Urca, já estava meio cheinho quando entramos e não conseguimos ficar junto das janelas. O que eu achei bom, pois achei que ela ficaria muito amedrontada se ficasse na janela. Mas ela não se contentou em ver pouco e, no bonde da Urca pro Pão de Açúcar, ela fez questão de ficar juntinho da entrada. Quando a porta abriu, ela esqueceu a artrite e foi quase correndo pegar um lugar na janela. Quando o bonde começou a subir, que ela viu o precipício lá embaixo, aí que começou a dar medo nela. Ela quase chorou. Mas achou graça da atitude de sair correndo pegar aquele lugar. E adorou ver tudo, mesmo com todo o medo.
Na volta, ela correu pra janela, ligeirinha, pra não perder nada. E ainda disse que, na próxima, vai fazer o passeio de helicóptero que tava anunciado lá em cima.
Os espetáculos da sexta e do domingo foram muito emocionantes. Participações de Nara Gil e Lanlan, respectivamente. Na quinta, tivemos Zeu Britto. No sábado, Nara de novo. Mas, no sábado, eu não vi. Fui com Artur rever o show de Marisa Monte. O público em São Paulo era bem melhor, e acho que, lá, tivemos um show melhor também. Mas, desta vez, sentamos bem perto, o que foi ótimo.
Volto pra Salvador no sábado. E fico até... Não sei dizer. Mas sei que está perto o dia de me mudar mesmo pro Rio. Já dei uma olhada em aparts. Acho que vou pegar um na praia, perto de Margareth. Sai um pouco mais caro, mas, neste momento, vai ser bom estar aqui perto.
Escrito por Claudio às 02h47
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ducentésimo trigésimo nono dia - pura emoção
Espetáculos lindos no último fim de semana.
Na quinta, primeiro dia sem participação de ninguém. Na sexta, a presença fofa de Letícia Sabatella, cantando OVELHA NEGRA, de Rita. Na platéia, muitos fãs da moça. Tanto quinta quanto sexta, platéia muito dada a sorrir e comentar. É o público da entrada franca, aquele público que vê a peça como se estivesse na sala de casa vendo tevê, comentando o tempo todo. Muitos risos e comentários nas referências a homossexualidade.
No sábado, tivemos um público mais ligado. E o espetáculo foi emocionantíssimo. Participação de Jussara Silveira, cantando POMBO CORREIO. Depois, fui jantar com Jussara, Lanlan, Lena (mãe de Thea) e algumas amigas, em Laranjeiras. Noite muito agradável. E todos concordaram que o espetáculo tinha sido pura emoção.
No domingo, repetimos um espetáculo emocionado e muito, muito bom. Sem participações especiais. Mas, na platéia, meu amigo Sidnei, já de malas prontas pra voltar pra São Paulo. Depois do espetáculo, fui com ele e vários amigos (todos estavam na peça) tomar um chope no Amarelinho, bar e restaurante tradicionalíssimo na Cinelândia. Há uns 10 anos que eu não andava por ali.
Agora, aguardo meus pais, minha irmã e Artur, que vão chegar essa semana.
Lembrando que esta é a ÚLTIMA SEMANA!!!!!!
NADA SERÁ COMO ANTES
Teatro de Arena da Caixa - Caixa Cultural. Rua Almirante Barroso, 25 (Esquina com Av. Rio Branco, ao lado - coladinho mesmo - da Estação Carioca do Metrô) (não confundir com o Teatro Nelson Rodrigues - é outro prédio!) Rio de Janeiro.
De quinta a domingo, às 20h.
ENTRADA FRANCA!!!! (Retirar senhas no local.)
Escrito por Claudio às 16h59
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ducentésimo trigésimo oitavo dia - quatro dias de mágica e o choro diante da beleza
A estréia foi bonita, deu tudo certo, os atores fizeram de tudo pra não haver erros (e não houve), mas... faltou emoção.
A tensão sobrepujou a emoção na estréia da peça. O público que nunca tinha visto o espetáculo nem percebeu, já que o espetáculo foi muito bom. Mas foi uma noite em que a comédia se sobressaiu.
Já no segundo dia, foi pura emoção. A tensão se foi, e o espetáculo voltou a ter essa qualidade: ele emociona, ele é emoção pura, ele mexe com a gente, dentro e fora de cena. Quem conhece a peça sabe do que eu estou falando.
O terceiro dia foi como um "segundo dia" tradicional. A energia baixou um pouco. Mas tudo foi recuperado no espetáculo deste domingo. Alguns pequenos ajustes foram feitos, a platéia estava bem bacana, e o espetáculo fluiu bem gostoso.
Ficamos somente mais duas semanas. Onde? Vai aqui o serviço completo:
NADA SERÁ COMO ANTES
Teatro de Arena da Caixa - Caixa Cultural. Rua Almirante Barroso, 25 (Esquina com Av. Rio Branco, ao lado - coladinho mesmo - da Estação Carioca do Metrô) (não confundir com o Teatro Nelson Rodrigues - é outro prédio!) Rio de Janeiro.
De quinta a domingo, às 20h.
ENTRADA FRANCA!!!! (Retirar senhas no local.)
Os amigos do Rio (e Niterói) estão convidados. Quem tiver amigos pelo Rio, divulgue! É até o dia 23 de julho.
O cansaço tem sido tão grande, que chego em casa e não consigo dormir. Aliás, não consigo fazer nada. Fico no sofá, ligo a tevê e deixo a cabeça desanuviar.
Mas, neste sábado, fui ver Lan Lan e Emanuele no Moinho da Bahia. Tomei um drinque com rum e mate. Gostei e, quando pedi outro, o pessoal tava indo embora. Bebi o segundo de vez e fiquei meio zonzo. Quando cheguei em casa, achei melhor não me deitar de vez, pois, quando me deito alto de álcool, tenho ressaca.
Peguei pra ler O livro das bem-aventuranças e do Pai Nosso, de Jean-Yves Leloup. São duas palestras que ele (um padre ortodoxo, também antropólogo e psicólogo) fez aqui no Brasil. Já tava em mais da metade da segunda (sobre o significado do Pai Nosso). Terminei durante a madrugada.
Tem momentos tão lindo que eu chorei muito. Chorei por perceber a graça de Deus em minha vida. Chorei por poder estar vivendo este momento feliz em minha vida. Chorei por ter tido a força de superar os momentos difíceis que passei há tão pouco tempo. Chorei também pela beleza do texto de Leloup e pela beleza do Texto Sagrado.
A beleza, quando grande, quando forte, me arrebata e me faz chorar.
Assim é a beleza do Pai Nosso.
Escrito por Claudio às 02h00
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ducentésimo trigésimo sétimo dia - perto da estréia
Estou exausto.
É engraçado: fiquei dias sem vontade de escrever no blog, mas, agora, que estou exausto, a vontade foi tão grande que, quando estava quase em casa (ou melhor, na casa do amigo com quem estou hospedado - o aniversariante do post anterior), falei pro taxi seguir e vim pra uma livraria 24 horas pra escrever.
Estou exausto. Hoje, estréia NADA SERÁ COMO ANTES aqui no Rio. Foi um trabalho de refazer tudo. Quando estreamos em 1999, o público ficava no centro e os atores em vários palcos que rodeavam a platéia. Depois, fomos pra um palco italiano (aquela formação mais conhecida, com uma só platéia de frente para o palco) e tivemos que adaptar a encenação, mas era mais simples. Praticamente, localizamos num palco maior as cenas que aconteciam em palcos menores antes.
Agora, é o contrário da montagem inicial: o palco é no meio e há platéia em três lados (seriam quatro, mas isolamos uma das platéias). Além disso, o elenco não é todo o mesmo. Tem uma atriz nova, fazendo justamente a personagem feminina de maior projeção na peça. Tive que passar vários ensaios somente conduzindo essa atriz.
Pra completar o quadro, estamos inaugurando um teatro. Isto significa que tivemos que ensaiar com muitas coisas ainda por fazer no teatro. A aparelhagem de som e luz só foram instaladas nesta segunda. O teatro ainda não tem técnicos próprios e tivemos que trabalhar com os técnicos de outro teatro. Quando a mesa de luz chegou, eles viram que não sabem mexer na mesa. Nossa iluminadora também não. E tem um manual de instruções de 45 páginas em inglês. Um caos. A luz está sendo feita neste momento, na madrugada antes a estréia. Não tivemos nenhuma passagem completa da peça. A trilha sonora, que já estava pronta, sofreu algumas alterações, e eu vou gravar um novo disco esta tarde, pouco antes de ir pro teatro. Lá, tenho que passar a trilha pra um MD, pois o teatro não tem um CD-Player. Eles têm um DVD-Recorder, que, sim, toca cds, mas, quando você dá uma pausa e muda de faixa, ele não continua pausado; ele já começa a tocar a faixa seguinte. Se a faixa entrasse imediatamente, seria ótimo. Mas o DVD-Recorder demora pra identificar a faixa, o que torna impossível a operação de som pra um espetáculo.
Enfim, estou exausto, não tenho feito mais nada além de ficar no teatro o dia todo (sem tempo pra ver os amigos, sem tempo nem de telefonar), mas, esta noite, quando o público estiver sentado, a banda começar a tocar, e os atores entrarem em cena, sei que a magia vai acontecer. Como sempre. É o teatro.
No último fim de semana, como não tínhamos nem teatro nem sala de ensaio nem a atriz nova, fui a Salvador pra dois aniversários: dia primeiro, o de meu pai. No dia 2, meu aniversário de namoro com Artur.
Com muita chuva em Salvador e em Dias D'Ávila, acabei não indo ver meu pai. Vi o jogo peba junto com o pessoal do centro espírita, NO centro espírita!
E, no dia 2, comemoramos como manda o figurino!
Escrito por Claudio às 02h17
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