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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, Homem, de 36 a 45 anos



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ducentésimo qüinquagésimo nono dia - usa for africa

Madonna vai gravar Eduardo Dusek:

"Troque seu cachorro por uma criança pobre"!



Escrito por Claudio às 02h03
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ducentésimo qüinquagésimo oitavo dia - baianada

Ontem eu tava morrendo de sono. Mesmo assim, fui encontrar duas amigas baianas de passagem pelo Rio pra ir com elas pro melhor oásis na sede banzística que se abate no baiano longe de casa: o MOINHO DA BAHIA. Dancei pra me acabar! Pensei que ia ter um atque cardíaco.

Hoje tem show de Daniela Mercury na praia de Copacabana e as duas ficaram de me ligar se rolasse camarote. Nâo ligaram até agora, mas como ambas são enroladas, é bem capaz de estarem no show a essa hora. De qualquer forma, trabalhei até agora e chove pra caralho no Rio. Péssimo dia para show na praia. Mais uma vez, Daniela canta no Rio e eu não vejo.

Já Bethânia, verei no mês que vem.


Pânico ontem ao acordar: meu sonzinho não queria ler os discos. Caí na loucura de limpar a lente. Aí, ele leu pos discos com falhas. Botei no rádio. E fui trabalhar.

Depois, de volta a casa, ouvindo rádio por um bom tempo, resolvi tentar de novo (imagina, os discos novos de Bethânia tão pra chegar - e a Biscoito Fino atrasadíssima com a minha entrega! Não compro mais lá. Eles vendem mais caro que nos outros lugares e deveriam entregar antes de todos, já que são a gravadora da moça). Tocou. Agora é assim, tenho que esquentar o aparelho com o rádio pra ele tocar sem falhas. Ou deixar tocar com falhas até ele aquecer e tocar direito.

Quase morri ontem. Não vivo sem música.



Escrito por Claudio às 21h04
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ducentésimo qüiquagésimo sétimo dia - beleza

Dia cinza, mar branco.

Já perdeu a graça isso. Pleno novembro e o frio impera. Cadê a primavera?

Muito trabalho por aqui. Fazemos mesmo um capítulo por dia. Até que não seria tão pesado se eu escrevesse mais rápido. Às vezes demoro nov e horas pra escrever meio capítulo. Às vezes sai mais rápido e deu tempo de ir ao cinema, na semana passada, ver EU ME LEMBRO, de Edgard Navarro.

Fui com muita espectativa, afinal, Edgard fez o SUPER-OUTRO! Filme cult que vi na estréia em Salvador e que ficou gravado em minha memória até agora. Lembro bem de cenas como a de Bertrand cagando na manchete "O FIM DO MUNDO ESTÁ PRÓXIMO" de um Planeta Diário, ou ele se masturbando na frente de uma vitrine de tevê durante o Roletrando com Sílvio Santos, Inaldo dormindo e sendo acordado pelo mendigo que joga um tonel de lixo na portaria do prédio, e uma das frases que abriam as partes do filme: "Deus é grande, mas está mole".

Ver aquilo tudo, num média metragem, foi muito marcante pra mim. Eu tava começando a carreira artística. Lembro que fui ao cinema com Celso e saimos absolutamente passados com o filme. Edgard já era o diretor de uma montagem de DEUS de Woody Allen, que foi o primeiro espetáculo teatral baiano a que eu assisti. Com o SUPER-OUTRO, Edgard virou referência. Anos depois, o filme entra na letra de CINEMA NOVO de Gil e Caetano. Mas Edgard só voltou a lançar um filme agora.

Quando eu vi que tava passando o filme aqui na Barra, tratei de escrever rapidinho minhas cenas pra dar tempo de pegar a sessão das nove. Chamei a Ana pra ver comigo, mas ela me disse que a analista dela tinha achado horrível, que tinha saído no meio e disse pra ela ir ver qualquer coisa menos EU ME LEMBRO. Fui sozinho.

E me emocionei muito com o filme. Ele tem falhas grandes, tem um elenco exagerado, bem falso às vezes (todos baianos), mas as qualidades do filme superam as falhas. E o filme me surpreendeu em seu lirismo. Nada de cenas chocantes, de frases bombásticas. EU ME LEMBRO é um exercício de memória do cineasta, revendo na infância tudo aquilo que formou seu pensamento. O filme, desta forma, gira muito em torno de referências sexuais (marcantes para o garoto do interior) e questionamentos sobre Deus. Acho bem suspeito uma psicanalista ficar tão incomodada com o começo do filme, pois é o momento em que as referências chulas a sexo aparecem com mais força. Eu não me analisava mais com essa mulher.

São muitas referências chulas, mas não são gratuitas. Numa das primeiras cenas do filme, o garotinho de seus 4 anos, chama a mãe de puta. Sem saber o que aquilosignifica. E leva um baita esporro do bruto pái, que sacode o menino no ar, fazendo o coitado se mijar nas calças. Poucas cenas depois, o garoto escuta um grupo de adultos decidindo como contar numa carta que um dos garotos já está sexualmente ativo. E tome-lhe linguagem chula. Ora, isso faz parte da formação da criança. Ele escuta adultos falando aquela linguagem e repete em casa diante de um pai extremamente repressor, a quem ele chega a desejar a morte. Na fase adulta da personagem, o sexo vai dando lugar a outras preocupações, mas o questionamento a Deus permanece forte.

O filme é belíssimo. Não posso deixar de dizer que dormi no final. Muito cansado do pique de trabalho, não agüentei a proximidade com as... 11 horas da noite!!!!! Quem diria...

No fim da sessão, tinha gente se debulhando de chorar. Eu perdi parte da última cena (em que o personagem central, numa viagem de cogumelo revê várias personagens de sua vida) e acordei com os letreiros e uma belíssima canção com uma voz que eu acho que era Caetano Veloso. Uma canção que eu não conhecia e não consegui descobrir o nome ainda, mas que termina com uma frase que achei também belíssima: "Eu nunca me esqueço de todas as pessoas que já fui".


ERRATINHA: O nome do genial média-metragem de Edgard não tem hífem, é SUPEROUTRO. E a frase que encerra a música de EU ME LEMBRO, que acabei de escutar no site do filme, é "Eu não me esqueço de ninguém que eu já fui". A música é de Tuzé de Abreu e a letra é de Caetano, que realmente canta e toca violão na canção homônima ao filme.



Escrito por Claudio às 13h06
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