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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, Homem, de 36 a 45 anos



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ducentésimo septuagésimo quarto dia - inventário

Na minha mesa da sala:

7 dvds originais, 10 dvds graváveis virgens, 10 dvds gravados, 7 dvds regraváveis vazios, 43 cds diversos, 5 livros diversos, 15 exemplares do meu livro, 1 rolo de papel toalha, 2 velas, 1 boné, 1 grampeador, 1 lubrificante ocular, 1 frasco de dimeticona, 1 frasco de omepazol, 1 carteira de dinheiro, 1 nota de um real, 2 revistas, 1 cartela de dorflex, 1 capa de óculos, 1 protetor solar, 1 toalha de rosto, 6 sacos plásticos diversos, 5 folhetos, 3 notas fiscais, 1 recibo de cartão, 1 conta de luz, 1 conta da arrumadeira, 5 contratos de aluguel a assinar, 1 envelope usado, 1 prottetor solar para cabelos, 1 caixa de lençoes de papel, 1 necessaire para praia, 47 moedas, 1 abridor de cds, 1 nota da lavanderia, 1 quadro de horários da academia.

Nenhuma cadeira em volta.


Sábado saiu uma crítica a JINGOBEL no Globo. O crítico fala mal de tudo, principalmente do meu texto. Parte da premissa errada de que eu tento fazer um "painel da alma feminina" com o meu texto. De onde ele tirou essa idéia? Vai saber. O fato é que ele não gostou e detonou. Hoje aquele jornal já não se encontra nas bancas. Mas é sempre chato falarem mal do trabalho da gente.



Escrito por Claudio às 02h38
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ducentésimo septuagésimo terceiro dia - "quando eu me chamar saudade"

Encontrar uma vez por mês, ou menos que isso (estivemos juntos no carnaval), faz com que haja sempre reencontros e despedidas. Não nasci pra me despedir, um problema para quem, como eu, carrega o número da mudança pelo resto da vida a partir de agora.

Toda última noite de Artur aqui me dá vontade de chorar. Como hoje.

E às vezes sinto o peito vazio.

Mas a tristeza é passageira. Já não estou triste escrevendo aqui.

Os dias passam rápidos.



Escrito por Claudio às 02h34
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ducentésimo septuagésimo segundo dia - o preto que me satisfez

Desde criança que eu não curto feijão, só na feiojoada, ou no máximo um caldinho de feijão, com um baconzinho pra dar gosto. Mas aquele feijãozinho do dia a dia, eu nunca fui fã. Quando era criança e minha mãe queria muito que eu comesse feijão, ela amassa toucinho bem amassadinho no meio do feijão e eu comia, forçando, mas comia. E comia pouco, muito de vez em quando. E sempre com farinha. Feijão com arroz, eu nunca suportei. Sabia das qualidades da combinação, as sempre achei algo muito sem graça. Com feijoada mesmo, jamais fui de botar arroz, pois sempre achei que o arroz tirava o sabor da feijoada. Minha mãe acabou desistindo de me fazer comer feijão.

Tentei comer feijão de novo no começo da faculdade, quando - achando que não podia gastar o dinheiro dos meus pais com comida em Salvador - fui almoçar uns dias no Restaurante Universitário. Comi lá o talvez pior feijão de todos os tempos. aliás, o pior arroz do mundo também.

Há duas semanas e meia, comecei a malhar, três vezes por semana (vou aumentar isso dia desses), com um personal. Que disse que eu tinha que comer de três em três horas. E realmente, como todos que malham ou já malharam alguma vez na vida, a fome aumenta e muito.

Há exatamente uma semana, na quarta-feira, cheguei na casa de Margareth vindo da malhação pra gente trabalhar. Fizemos uma pausa pro almoço e Margareth falou que eu devia comer arroz (eu tinha colocado somente uma salada e carne no prato) por causa da malhação. E disse que eu devia comer feijão. Expliquei que não como feijão, não suporto. (Quando a minha dentista começou o clareamento em meus dentes, me disse pra não comer feijão. Eu disse: nem se preocupe com isso.)

Mas o feijão de Lu, a cozinheira, tava bonito. E eu resolvi experimentar feijão mais uma vez. E não é que eu gostei?

Na sexta, comi de novo do feijão de Lu. Dessa vez, uma porção maior que na quarta. E à noite, depois de JINGOBEL, fui à casa de uma das atrizes e ela tinha... feijão. E feijão mulatinho, porque ela é baiana e o rapaz que fez o feijão é goiano, e os dois não vão com a cara do feijão preto, o preferido dos cariocas (o de Lu era preto).

Chgeuei à conclusão que meu paladar mudou muito ou que minha mãe, apesar de cozinhar muito bem, nunca soube fazer feijão.

No fim de semana, por coincidência, escutei Gonzaguinha cantando O PRETO QUE SATISFAZ, que algumas pessoas chamam de FEIJÃO MARAVILHA por causa de uma novela que tinha a música como abertura. Na letra, Gonzaguinha diz que "dez entre dez brasileiros preferem feijão". Eu sempre discordava dessa letra. Hoje tive que dar o braço a torcer. Botei o feijão no prato, em cima do arroz!!!!, senti aquele vaporzinho quente subindo, aquele aroma, e fiquei com água na boca. Entrei pra estatística do Gonzaga Jr.



Escrito por Claudio às 19h42
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